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José Cardoso Peixeira Marques

Nasceu em Beijós em 21 de Março de 1875, faz hoje 150 anos. Filho de Agostinho Marques Peixeira e de Margarida Perpétua de Abreu. Do lado paterno, era bisneto de João Marques Peixeiro, o primeiro a usar oficialmente o sobrenome com origem na profissão de Maria Bernarda de Campos. Do lado materno era neto de António Cardoso Ferrão de Abreu Castelo Branco (n. Beijós) e de Maria Joana Natividade de Sousa Marques (n. Cabanas, mas residente em Beijós desde criança, sendo cunhada de Diogo Coelho de Moura).

Casou em 8-10-1898 com Leonor Coelho do Amaral, filha de Cristóvão Coelho de Abrantes e de Maria Gomes de Barros. Dela teve um filho Adolfo, não tendo assistido à sua morte em 1901, com menos de dois anos, porque estava emigrado no Brasil, provavelmente em Manaus, onde tinha desembarcado em Abril de 1900.

Fez vida em Belém, PA, pelo menos desde 1909 até à morte em 30-12-1963 e foi aí que deixou descendência. Esperou pela morte de Leonor (em 1932) para casar oficialmente com Flávia de Andrade Figueira, em Belém em 30-9-1933. Já tinham um filho e viriam a ter mais dois:

  • João Batista Figueira Marques nasceu em Belém em 28-4-1921. Foi jurista, jornalista, sindicalista e um destacado membro do PMDB, tendo um extenso arquivo no Serviço Nacional de Informações da ditadura militar. Foi vereador em Belém de 1976 a 1982 e deputado federal entre 1985 e 1987. Teve filho e neto homónimos.
  • Dulce Margarida Figueira Marques casou com o primo em 2.º grau José Miranda de Andrade Figueira, e tiveram (pelo menos) os filhos Cláudio e Carmem.
  • José Eimar Marques nasceu em Belém em 8-5-1936.

 

Dados de identificação em 1940

José tinha outro filho, nascido antes de se relacionar com Flávia. Foi Eliseu Farias Peixeira, de quem não sei a data de nascimento, apenas sei que faleceu em Belém em 1-11-1995. José sempre tratou Eliseu pelo nome Agostinho. Quando, em 2008, conversei com a minha tia Amelinha sobre o tio que vivera em Belém, ela confirmou que sabia que ele tinha um filho chamado Agostinho, o nome do avô comum 😊.

Eliseu casou com Maria Eunice Monteiro, de quem teve 12 filhos, a maioria dos quais passou o sobrenome Peixeira às gerações seguintes, tornando Belém a capital mundial deste sobrenome criado em Beijós:

  • Dynair Peixeira, n. 18-4-1940, casada com António Amaral.
  • Maria de Lourdes, n. 8-9-1941
  • Edilson Farias Peixeira
  • José Maria Farias Peixeira, n. 1-1-1945, f. em 2003, casou com Marita da Costa, com vasta descendência
  • Evaldo Farias Peixeira, n. 18-9-1946, casado com Edna da Costa, com descendência
  • Edson Farias Peixeira, n. 30-12-1947, f. 9-8-2015, casado com Gilmarina Fonseca Pinto, com descendência
  • Eliete Peixeira, n. 15-1-1949
  • Gabriel Farias Peixeira, n. 15-3-1950, casado com Vilma Dias em 20-1-1973
  • Elizanete Peixeira, n. 30-7-1951, f. 22-10-2023, casada com Manuel Francisco Moura Serra, com descendência
  • Eliete Nazaré Peixeira, n. 8-11-1953, f. 10-3-2025, casada com José Brito Pedroso
  • Elizeu Farias Peixeira Filho, n. 20-7-1955
  • Telma Peixeira, n. 30-11-1957, casada com descendência

 

Factos curiosos:

  • José consta como solteiro no registo de casamento com Flávia, quando era viúvo.
  • Em documentos oficiais assina sempre José Cardoso Peixeira. O sobrenome Marques surge principalmente em documentos escritos por outrem, frequentemente Peixeira Marques e por vezes Teixeira Marques. Apenas Eliseu teve sobrenome Peixeira, os filhos de Flávia ficaram com Marques.
  • O meu tio-bisavô Alexandre Marques Peixeira residia em sua casa quando ficou doente com tuberculose, vindo a falecer no Hospital da Caridade em 1934. Foi sepultado como indigente. Apesar disso, o meu bisavô enviou a José bastante dinheiro, agradecendo-lhe o cuidado com o irmão na vida e na morte. A última carta, de que não houve resposta, foi escrita pelo meu pai (que ainda não tinha nascido quando Alexandre morreu) em 1941 ou 1942.
 
 
Calendário promovendo a Casa Ytatyaya, onde o proprietário renega o sobrenome Peixeira
Este estabelecimento era propriedade de José desde 1915

 

Comentários

  1. Excelente investigação Compadre.
    👏
    Descobrimos mais primos do Brasil.

    ResponderEliminar
  2. Uau! Não sabia que havia existido um jornalista na família, vem de sangue 😊. E a pergunta que fica, por que apenas Eliseu herdou o sobrenome Peixeira?

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Eu creio que o teu trisavô nalgum momento começou a evitar o sobrenome Peixeira, preferindo dar aos filhos de Flávia o sobrenome Marques, que ele próprio não tinha nos documentos oficiais! Aparece muitas vezes referido como Teixeira. Inclusive em ficheiros do Serviço Nacional de Informações sobre o jornalista, como este:
      http://imagem.sian.an.gov.br/acervo/derivadas/br_dfanbsb_v8/mic/gnc/aaa/84044064/br_dfanbsb_v8_mic_gnc_aaa_84044064_d0001de0001.pdf
      Quanto ao João Batista, não foi apenas um jornalista, foi fundador e primeiro presidente (durante 6 anos) do Sindicato dos Jornalistas do Estado do Pará.

      Eliminar

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